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  • Rafael K. B. Czarnobai

O Encontro Terapêutico


Face a face uma história se desenrola, desejos são expostos e traumas são recontados. São verdades descritas uma a uma reveladas ao analista. E no mais profundo qual é a verdadeira busca; Existir? Amor? Paz? Ser feliz? Refazer ou recriar novos caminhos são possibilidades de recontar a história de vida de cada um. Quanto mais à história que o próprio sujeito conta de si é recontada, ela o legitima e algo de profundo no Ser é restaurado, aos meus olhos não é só uma questão de vivenciar. Faz-se necessário integrar um saber que sempre é compartilhado, nunca pode ser apreendido sem uma relação, sendo assim nos faz humanos e, portanto é necessária uma abertura para poder ser-com-outro.

O conhecer a si-mesmo só é possível na relação com outro, eis o grande segredo da busca pelo processo de individuação a qual C.G. Jung conceituou e desenvolveu, assim deixando como legado teórico. O processo terapêutico não é apenas transformador para os pacientes é para o terapeuta também, poder Ser testemunha da singularidade humana e ao mesmo tempo poder observar que existe algo de comum a cada ser humano em suas histórias, sejam pelos conflitos, medos, ansiedades ou suas formas de deprimir. Toda nova emoção, afeto ou catarse vivenciada e compreendida é o alcance de uma nova liberdade de poder ser.

O processo terapêutico como catalisador das transformações da vida, faz do terapeuta o elemento potencializador, seja pela troca das personalidades entre analista- analisando em que ocorre um aprender que se faz junto, ou também, pelo esperar amadurecer que permite que a relação cresça e se desenvolva junta em ambos os participes, como Jung diria não existe desenvolvimento se não houver envolvimento. E quando existe um solo fértil como a vida fica mais bonita com o movimento e desejo de se viver.

A palavra terapia vem do grego THERAPEIA, que significa “o ato de curar” ou “ato de reestabelecer”. Assim, o Encontro terapêutico é espaço muito único, onde se faz existir o Ser que está ferido, ou seja, a busca da cura interior ou a compreensão das feridas da alma em uma linguagem Junguiana. Mas neste caminho de cura do paciente, o terapeuta se singulariza no ato do curar e isto o transforma, seja em sua energia psíquica, ou no próprio olhar para a humanidade.

Em cada possibilidade de ajudar uma nova pessoa, se constrói a potência da sabedoria da vida em curar e o ato terapêutico surge da simples naturalidade em se viver. O que entendo aqui como capacidade do analista em ativar a função transcendente no paciente e que ambos possam observar os sinais e viver sincronicidades e integrar o conhecimento que é de cada história e subjetividade a ser reconhecido e aprendido para se usar na caminhada pela jornada da vida e crescer.

Assim o torna-se terapeuta, se faz pelo escutar, respeitar outro humano, o saber tocar uma subjetividade e o poder criar para curar. A vida é múltipla e o observar é fundamental para desenvolver o que entendo de um saber olhar, pois a cada querer crescer, é preciso criar junto aos pacientes uma obra de arte, para poder ler e transmitir o sentir em se viver.

Como Jung nos ensina “o encontro de duas personalidades assemelha-se ao contato de duas substâncias químicas: se alguma reação ocorre, ambos sofrem uma transformação” e por vezes isto é possível se tivermos ímpeto interno para “inventar alguma coisa, a criatividade reúne em si várias funções psicológicas importantes para a reestruturação da psique. O que cura, fundamentalmente, é o estímulo à criatividade.” (Nise da Silveira).


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Rafael Czarnobai © 2016